O homem deitado no chão ergueu a cabeça e um corpo com pequenas proporções surgiu bem enfrente aos seus olhos, tudo lhe doía, sua perna direita parecia soltar faíscas. Sem dar tempo ao homem de acordar por inteiro daquele pesadelo, em meios a soluços a criança falou:
— Senhor, meus pais! Onde estão meus pais? — Ele virou-se e só aí sua memória pôs-se no lugar correto. Aquela casa pertencia ao menino, e a família que os rebeldes tinham acabado de matar também.
Nos minutos anteriores
O homem negro, corpulento, de 26 anos, ao perceber que tinha chegado a hora de sua aldeia ser invadida por aqueles soldados, viu como saída fingir sua própria morte. Um velho senhor, de aproximadamente 65 anos chegou cambaleando em sua frente, estava baleado no tórax, a cabeça também sangrava, ele dava seus últimos gemidos de dor. Foi aí que ele viu uma alternativa. Pegou o sangue daquele senhor, passou em sua blusa, deixou escorrer um pouco no chão, afastou o velho e deito-se de bruços, estava visivelmente morto. Para sempre. Morto por ouvir todos os pedidos de súplica daquela família à casa frente. Os soldados mandaram fazer uma fila. Um por um, todos morreram… Antes de irem embora, um deles resolveu apunhalar a cabeça do homem deitado no chão, no meio da estrada de barro; afinal, o velho parecia morto, mas na figura daquele outro algo parecia estranho; juntou com um disparo da arma e pronto… Agora sim, consciência limpa para aquele soldado.
O garoto negro de apenas 7 anos estava esperando o avó, para poderem fazer o que faziam toda semana, pescar. Quando cansou de ficar em pé naquela parte da mata, resolveu descer até a nascente do rio. O vovó entenderia tudo, não iria brigar com o menino, ele só tinha descido porque a curiosidade de se aventurar sozinho era muito maior do que obedecer a regra de não andar só no meio do mato. Quando estava alí, perto da água, viu a gruta de grandes pedras onde ele e o avó sempre contavam os peixes. Ele foi pra lá, se proteger do forte sol e da morte. Sentado na gruta, os rebeldes que se separaram e foram destino a mata, não puderam ver o menino que seria mais um alvo fácil.
Sonhos acabados á parte, 19 anos separavam os dois. Dezenove anos era um peso a mais que influenciava terrivelmente na obrigação do jovem homem dá uma resposta ao garoto.
— Seus pais… Saíram… Como os meus. Me ajude a levantar, cuidarei de todas suas feridas.
Dialético Passarinho
Ela passou pela porta da cozinha, por um portão improvisado e frágil da área de serviços e foi ao local onde ele estava naquela manhã. Não tinha nada de estranho, só o fato de o gramado bem cuidado começar exatamente por aquelas proximidades A casa era cercada. De onde Bianca estava a paisagem se resumia ao muro, os fundos da casa e o jardim - distribuídos no imenso quintal. Tudo normal até ela conseguir enxergar a carroça, atrás de um pequeno pé de castanhola. Ela foi até lá e a caixa preta e velha estava no centro dela. Tinha aproximadamente uns 30 centímetros, imaginou o que poderia está ali dentro, o que um assassino escondia dentro de uma caixa daquelas? Contudo, ela tinha que abrir. E foi isso que iria fazer, até perceber que toda força que fazia era em vão, estava fechada. Pegou-a e viu que no lado direito tinha uma círculo com dígitos, logo percebeu que precisava de uma senha.
….
Para relaxar, ligou o ventilador e começou a ler seu atual livro de cabeceira: “SINÔNIMOS - Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor. – Mário Quintana” Ventilou até cansar, a sua dor.